36º Concurso Literário Cidade de São Luís encerra inscrições nesta quinta-feira (2)


Interessados em participar do 36º Concurso Literário Cidade de São Luís, concurso cultural promovido pela Prefeitura de São Luís, por meio da Fundação Municipal de Cultura (Func), poderão se inscrever no edital até amanhã, quinta-feira (2).

A Func receberá as inscrições dos candidatos na própria sede, no setor de protocolo, no horário das das 8h às 12h e das 13h às 18h, apresentando a ficha de inscrição, documentos pessoais e cópias impressas da obra literária concorrente. A Fundação Municipal de Cultura fica localizada na Rua Isaac Martins, nº 141, Centro. A ficha de inscrição e o edital estão disponíveis no portal da Prefeitura, no Portal da Prefeitura (www.saoluis.ma.gov.br).

SOBRE O CONCURSO
O 36º Concurso Literário vai premiar 20 autores, com obras inéditas, em dez diferentes categorias literárias: romance, novela, conto, poesia, ensaios, peça teatral, literatura infatojuvenil, jornalismo literário, crônicas e literatura de cordel.

Os vencedores, por categoria, receberão prêmio no valor de 7 salários mínimos
(equivalente a R$ 5.516, atualmente) para o 1º lugar e de 3 salários mínimos (equivalente a R$ 2.364, atualmente). Cada classificado selecionado até o 5º lugar receberá certificado de participação. Serão avaliados critérios como técnica narrativa, originalidade, estilo, linguagem, poética, entre outros.

Cada autor poderá se inscrever em mais de uma das categorias do concurso, ser maior de 18 anos e deverá ficar atento aos requisitos previstos no edital, como a exigência do pseudônimo e o ineditismo da obra. No caso da categoria peça teatral, não poderá ter sido encenada.

As obras vencedoras em 1º lugar terão tiragem de mil exemplares, com distribuição de 700 livros para o autor, 200 para instituições de ensino, pesquisa e bibliotecas e 100 para ao acervo da Prefeitura. O resultado da seleção deverá ser divulgado no mês de setembro.

Arraial da Praça Maria Aragão encerra programação; público total da festa foi de 115 mil, diz PM


Arraial da Praça Maria Aragão encerra programação; público total da festa foi de 115 mil, diz PM. Foto: Lauro Vasconcelos.

Arraial da Praça Maria Aragão encerra programação; público total da festa foi de 115 mil, diz PM. Foto: Lauro Vasconcelos.

A noite desta segunda-feira (29) no São João de Todos da Praça Maria Aragão, uma parceria da Prefeitura de São Luís e Governo do Estado, marcou o encerramento de um projeto bem sucedido. O espetáculo, que valorizou a cultura popular de uma das épocas mais festivas do Maranhão, foi acompanhado por aproximadamente 115 mil pessoas durante os dezoito dias de festa, de acordo com dados da Polícia Militar. A população, que compareceu maciçamente à programação, aprovou o arraial na Praça Maria Aragão.

Só nos dias 20 e 27 de junho, foram 25 mil pessoas em cada noite. No encerramento, a programação contemplou a diversidade das manifestações culturais do Maranhão, presente durante todos os dias de festança. O Boi de Eliézio, sotaque costa de mão, veio do município de Cururupu e mostrou as raízes da festa junina. O grupo foi inserido no projeto de salvaguarda da Fundação Municipal de Cultura (Func) com o objetivo de valorizar manifestações que estão praticamente extintas.

Além do grupo de costa de mão, a programação também contemplou o sotaque de orquestra representando pelo Boi Tradição de São Bento, o show Folia de São João “Grupo Folias de Três”, Cacuriá de Dona Teté, hoje comandado pela cantora Rosa Reis, Boi de Santa Fé, sotaque da baixada e Show de Pepê Junior.

Durante a apresentação do Boi de Santa Fé, a Func fez uma homenagem ao mestre Apolônio Melônio, que morreu no início do mês de junho deste ano. O presidente da Func, Marlon Botão, entregou para a viúva de Apolônio, Nadir Cruz, uma placa homenageando o grande nome da cultura popular maranhense. “Quero agradecer primeiramente a Deus e, em segundo lugar, a Prefeitura de São Luís por essa homenagem, pois o mestre Apolônio nos deixou o ensinamento da condução do bumba meu boi, principalmente no sotaque da baixada”, disse.

A festa foi acompanhada por turistas brasileiros de estados como Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Pará e Santa Catarina, além de estrangeiros de países como Alemanha, Suíça e Itália. Além disso, a festa foi transmitida por equipes de televisão do Japão, Espanha e Itália.

Marlon Botão fez uma avaliação positiva dos dias de intensa programação cultural. “Foram 18 dias de participação grandiosa da população aqui nesse espaço, que está consagrado como o principal ponto de referência da cultura popular de São Luís”, comemorou.

SEGURANÇA
O conforto e a segurança foram grandes marcas da festa na Praça Maria Aragão. Quarenta guardas municipais escalados por noite trabalharam no evento durante os dezoito dias de festa. Oito seguranças de uma empresa privada fizeram o reforço no monitoramento do São João de Todos. A Blitz Urbana participou com quarenta agentes que organizavam o comércio informal. A parceria com o governo do Estado também garantiu que a Polícia Militar fizesse rondas ostensivas no local diariamente, além de disponibilizar dez policiais civis por noite. 16 bombeiros também foram escalados. Não houve registros graves de violência, apenas pequenos delitos e abordagens.

SAÚDE
Durante os dias de festa, as equipes de saúde fizeram diversos atendimentos educativos. No dia 28, foi realizada uma panfletagem com distribuição de informativos sobre o tabagismo, obesidade e hipertensão. Ao todo foram distribuídos também 13 mil preservativos femininos, 93 mil preservativos masculinos, além de 20 mil panfletos educativos. As equipes também fizeram atendimentos de aferição de pressão, curativos, glicemia e medicação.

FALA, POVO

Stefano Bertvcclok, italiano, 34 anos.

Stefano Bertvcclok, italiano, 34 anos.

“É a primeira vez que estou no São João do Maranhão e estou encantado com a beleza da cultura local, conheço outros lugares do Brasil e outras festas populares, mas nenhuma tão bonita e alegre como essa. Acredito que muitos estrangeiros e até mesmo brasileiros desconheçam a riqueza cultural que vocês possuem. Quando eu chegar à Itália, contarei aos meus amigos dessa festa e os convidarei para conhecê-la”

Cristiane Viegas, do bairro Radional, técnico Administrativo, 46 anos.

Cristiane Viegas, do bairro Radional, técnico Administrativo, 46 anos.

“Gostei muito da programação e da localização, pois facilita o acesso dos visitantes. Aqui na praça, circulam muitos ônibus e isso também é importante, além da segurança presente no local, vi vários policiais rondando todos os dias e isso garante maior tranquilidade para as famílias que visitam o arraial”

Betânia Serra, do bairro Forquilha, empresária, 37 anos.

Betânia Serra, do bairro Forquilha, empresária, 37 anos.

“Gostei bastante do arraial da Maria Aragão, muito organizado, seguro e principalmente preocupado com o social, por exemplo no atendimento aos idosos, a colocação das cadeiras reservadas próximas ao palco foi uma ótima iniciativa que a gente fica feliz em ver”

Albertina Muniz Ferreira, do bairro Cohatrac,  técnica em Edificações, 45 anos.

Albertina Muniz Ferreira, do bairro Cohatrac, técnica em Edificações, 45 anos.

“Esse ano foi o melhor arraial que já participei, venho todo ano, mas ainda não tinha visto um arraial tão organizado como o desse ano, destaque para a pontualidade dos grupos que permitiu que o público pudesse curtir uma programação animada e sem estresse. O policiamento no local também merece ser lembrado, pois para nós, mães, a segurança dos nossos filhos vem em primeiro lugar”

Prefeitura garante apoio para festividades de São Marçal


A Prefeitura de São Luís, por meio da Fundação Municipal de Cultura (Func), apoia o Encontro de grupos de bumba meu boi de matraca (Festa de São Marçal). Nesta terça-feira (30), os brincantes de boi de sotaque de matraca fazem um grande batalhão de matracas e pandeirões a céu aberto. O 88º Encontro de Bumba Meu Boi de Matracas tem início na madrugada do dia 30, com previsão de encerramento às 18h, e já conta com 37 grupos de bumba meu boi confirmados. São esperadas mais de 300 mil pessoas, ao longo dia, na Avenida São Marçal, no bairro do João Paulo.

Para o presidente da Func, Marlon Botão, o apoio municipal reafirma o compromisso da Prefeitura com as festividades populares da cidade. “Por entender a importância e a tradição cultural em sua diversidade de manifestações populares, damos todo suporte de infraestrutura para os dois eventos garantindo a realização das festas”, afirmou Botão.

O evento contará com dois palanques: um para apresentação dos grupos e outro para idosos, pessoas com deficiência e autoridades. Serão disponibilizados 100 banheiros químicos. A Func garantiu o apoio de infraestrutura. As secretarias municipais de Trânsito e Transportes (SMTT), Urbanismo e Habitação (Semurh) e Segurança com Cidadania (Semusc) vão estar presentes com equipes de trabalho para garantir o controle do trânsito, a fiscalização do comércio informal e a segurança durante toda a festa.

HISTÓRIA
O primeiro encontro de bois no João Paulo data de 29 de junho de 1928, quando os batalhões do Sítio do Apicum, o Boi do Lugar dos Índios, do povoado de São José dos Índios, em Ribamar, e o Boi da Maioba se reuniram no espaço onde hoje é a Praça Ivar Saldanha, sob o pedido de José Pacífico de Moraes, comerciante, apreciador da cultura popular, que resolveu reproduzir, em seu bairro, um encontro que já ocorria desde 1924, todo dia 29, em honra a São Pedro, na então Vila do Anil.

O encontro se repetiu todos os anos até 1949, quando foi para o Monte Castelo, mas ficou lá somente um ano. Depois, foi para o Bairro de Fátima e rodou por outros bairros até retornar ao João Paulo, em 1959.

Somente nos anos 1980, a festa tomou a forma que tem hoje. Em 2006, a Prefeitura de São Luís, depois de ter sancionado a lei que alterou o nome da Avenida João Pessoa para São Marçal, atribuiu à Festa de São Marçal, através da lei Nº 4626 de 14 de julho, o título de bem cultural e imaterial, transformando a data no Dia Municipal do Brincante de Bumba Meu Boi.

Dança do coco, show e grupos culturais celebram a diversidade do São João de Todos


O tambor de crioula de São Benedito Mirim foi a primeira apresentação da noite de domingo, 28. Em volta de uma grande roda, homens tocam tambores, entoam canções em homenagem aos santos e provocam outros cantadores. No meio, mulheres trocam passos miúdos e rodopiam para um lado e para outro com suas saias coloridas. Ao compasso das melodias, de gritos e palmas, dão umbigadas e convidam outras dançarinas, que cumprimentam os tocadores e também se exibem em círculos. Uma dança deixada pelos escravos e mantida até hoje.

A dança do Coco Pirinã, segunda apresentação da noite, está dentro das apresentações de salvaguarda da Fundação Municipal de Cultura. Eles são do bairro Anjo da Guarda em São Luís e representam uma dança em extinção no Estado.

Mas o grupo vem com a proposta de mudar essa realidade, repassando a dança para os mais novos. A maioria dos brincantes tem entre 12 e 20 anos. As crianças também marcam presença. “É uma dança de roda entre homens e mulheres. Peneira, facão e machado, compõem os adereços da dança”, revela o responsável pelo grupo, José Sanches.

Tutuca e banda foram a terceira apresentação da noite. O artista tocou um ritmo próprio e finalizou homenageando Donato Alves, cantando a toada Bela Mocidade.

A companhia Barrica trouxe o Boizinho Barrica para continuar o espetáculo que atraiu milhares de pessoas para a Maria Aragão. O Boizinho comemorou seus 30 anos de história, saudando a festa do divino e outras manifestações culturais maranhenses. A Madre Deus também foi homenageada. O bairro é considerado o berço cultural de São Luís e foi onde surgiu o grupo.

Programação diversificada foi o que atraiu o público para o Terreiro da Maria. O show do boi de Nina Rodrigues trouxe o som contagiante da orquestra e a animação dos brincantes.

O Boi da Floresta mudou de nome esse ano para homenagear o grande mestre do grupo, Apolônio Melônio, que faleceu este ano. A apresentação fala da história do grande nome do Boi que fez história na tradição cultural do Estado. Os brincantes que o conheceram dançaram para homenageá-lo. “Me tratava muito bem, sinto muita falta dele”, afirma a brincante do grupo de 73 anos, Maria de Araújo.

Do município de Presidente Juscelino veio mais uma apresentação do sotaque de orquestra. Nas cores roxo e lilás, o boi de sotaque de orquestra subiu ao palco animando o público.
E encerrando a noite, o batalhão pesado de São José dos Índios entoou o som forte das matracas no Terreiro da Maria.

Milhares de pessoas comparecem ao São João de Todos, na noite de sábado (27).


A décima sexta noite do São João de Todos, na Praça Maria Aragão, começou com festa na roça. Foi o tema da Quadrilha Fogo Caipira, do bairro Divineia, em São Luís, que se apresentou com figurino pomposo e inspirado nos cangaceiros do Nordeste.

São 40 pares de brincantes que contagiaram a Maria Aragão com a alegria de uma verdadeira festa caipira. “Foi maravilhoso nos apresentarmos no Arraial da Maria Aragão, está nota 10”, comemora Chirlane Tavares, secretária do grupo.

Em seguida, o Boi da Fé em Deus, sotaque de zabumba, mudou o tom da festa. Considerado por muitos estudiosos o sotaque primário da brincadeira, os bois de zabumba são marcados pelo ritmo mais lento e ao mesmo tempo cadenciado. As indumentárias são feitas de veludo com ricos bordados. Os chapéus dos vaqueiros são repletos de fitas que colorem ainda mais o arraial.

O grupo Lamparina acendeu a fogueira no Terreiro de Maria. Um espetáculo que mistura cacuriá, carimbó, quadrilha e bumba meu boi. Os bailarinos acompanham o gingado e se vestem de acordo com o ritmo.

O Baile de Caixas trouxe para o Terreiro da Maria a proposta de misturar em uma só apresentação todos os ritmos que compõem a festa junina do Maranhão. Ritmos de bois de sotaque de matraca e zabumba, Festa do Divino, Cacuriá, Quadrilha, Carimbó e Dança do Côco foram apresentados pelos mais de 80 brincantes. “É uma forma de tirar os jovens de direções ruins e ajudar o lado social do bairro”, disse João Carlos, dono do Baile de Caixa.

O Boi Brilho da Ilha esbanjou alegria e irreverência. Mãe Catirina e Pai Francisco foram carregados num carrinho puxado pelo boi. As indumentárias nas cores amarelo, vermelho e laranja deixaram o arraial ainda mais bonito.

O Boi da Pindoba entrou fazendo o arrastão no Terreiro da Maria. Índias, caboclos de pena e rajado contagiaram o público. O batalhão, sotaque de matraca, se misturou ao público que dançou ao som das toadas.

O Boi Meu Tamarineiro, da cidade balneária de São José de Ribamar, região metropolitana de São Luís, trouxe o ritmo contagiante do sotaque de orquestra para finalizar a noite de festa. O grupo que existe há 49 anos começou pra pagar promessas feitas a São João. Depois, virou uma brincadeira de todos os anos.

Grandes espetáculos de grupos folclóricos e apresentações artísticas animaram público do Terreiro da Maria, na noite de sexta (26)


A noite de sexta-feira, 26, começou com a dança cigana de Henrique Lobão. O colorido das roupas e o bailado abriram a festança . A influência trazida do oriente é muito forte na música e na dança cigana. No arraial da Maria Aragão, o grupo, que existe há 15 anos, e vem do bairro Paranã, misturou dança cigana com festa junina.

O público parou para ver o boi gigante que veio do município de Humberto de Campos. O Famosão tem 6 metros de comprimento e para movimentá-lo é preciso 14 homens que formam o miolo do boi. Tudo começou com um sonho de Emanoel Machado que queria ter o maior boi do mundo. E foi em 1986 que o Boi Famosão nasceu. “Por onde o Famosão passa arrasta uma multidão, todo mundo para pra ver”, diz o dono do boi.

Ao som das matracas e pandeirões, a apresentação do boi gigante se transforma em uma sensação. “Nunca tinha visto um boi tão grande”, revela o autônomo Luis Carlos que acompanhou o grupo pela primeira vez no Terreiro da Maria.

Em seguida, o palco foi tomado pela alegria contagiante da cantora Alexandra Nicolas. A artista misturou forró, baião, coco, bumba meu boi, samba de roda e fascinou o público.

O sotaque de orquestra invadiu o Terreiro da Maria com o Boi Mimoso de São Bento. O grupo se apresentou com indumentárias luxuosas, bem elaboradas e coloridas. Ao som dos instrumentos de sopro, os brincantes esbanjaram alegria e animação no São João de Todos.

A quinta apresentação da noite trouxe um espetáculo para o palco da Maria Aragão. O boi Pirilampo surgiu com a proposta de inovação, dando um colorido diferente para o bumba meu boi do Maranhão. Por isso, o boi se encaixa nos grupos alternativos. Com passos estilizados, dança irreverente e coreografia que se diferem das tradicionais, o boi Pirilampo mistura os diversos sotaques. O ritmo da dança é mais acelerado. Entre os brincantes é possível perceber a presença dos caboclos de pena, vaqueiros e cazumbás, figuras tradicionais de outros sotaques de bumba meu boi.

Mas a noite de grandes espetáculos só estava começando. O boi de Nina Rodrigues como sempre arrastando um público cativo por onde passa. As cores da Jamaica foram escolhidas pelo grupo para homenagear o reggae neste ano. Os 25 anos de São João foram comemorados com valsa ao som dos instrumentos de sopro da “orquestra show” de Nina Rodrigues.

E já na madrugada de sábado, o Batalhão pesado de Maracanã fez o encerramento de mais uma noite de festa. O boi que este ano se apresenta em homenagem ao grande mestre do grupo, Humberto de Maracanã, que morreu no início do ano, deixa a festa ainda mais emocionante. Legado deixado para os filhos, netos e comunidade do bairro da zona rural de São Luís. As matracas e pandeirões se destacam na multidão formando uma festa única que só existe no Maranhão.

Papete doa livros sobre bumba meu boi para a Fundação Municipal de Cultura e Biblioteca Municipal


Na foto, o presidente da Func, Marlon Botão, e a coordenadora da Biblioteca Municipal José Sarney, Rita Oliveira, recebendo cópia do livro sobre bumba meu boi das mãos do compositor Papete.

Na foto, o presidente da Func, Marlon Botão, e a coordenadora da Biblioteca Municipal José Sarney, Rita Oliveira, recebendo cópia do livro sobre bumba meu boi das mãos do compositor Papete.

Na manhã desta sexta-feira (26), o cantor, compositor e percussionista Papete visitou a sede da Fundação Municipal de Cultura (Func) para realizar a entrega de cinco cópias da publicação “Os Senhores Cantadores, Amos e Poetas do Bumba Meu Boi do Maranhão”, obra que reúne entrevistas e depoimentos em forma de texto, áudio e vídeo dos principais mestres da cultura popular.

A obra é fruto de pesquisa desenvolvida por uma equipe coordenada pelo compositor que, durante 2 anos, realizou visitas a diversos municípios entrevistando cantadores. Foram realizadas 70 entrevistas e 34 delas estão no livro.

Reunindo um acervo inédito com fotos de Márcio Vasconcellos, a obra reúne textos de músicos e pesquisadores da cultura popular: Carlos Benedito, Heridan Guterres, Jeovah França, Joaozinho Ribeiro, José Pereira Godão, Josias Sobrinho, Luís Bulcão, Mundicarmo Ferretti e Sérgio Ferretti. A produção musical dos discos foi realizada no Estudio Villas (SP), Estudio Sonato e Estúdio Pitomba (São Luis)

O compositor ressaltou a importância da distribuição da obra para as fundações públicas e bibliotecas. “Com a minha presença todos os anos nas festas de São João, eu percebi que muitos mestres estão adoecendo e a memória oral dos nossos grandes professores não poderia se perder. O livro é para salvaguardar a história de vida destas pessoas e a distribuição gratuita para as instituições faz parte do nosso compromisso em poder compartilhar dessa memória viva”, explicou Papete.

Para o presidente da Func, Marlon Botão, a obra representa um valor imaterial importante para a difusão da cultura popular. “Recebemos com muita alegria uma obra como essa para compor o acervo bibliográfico da instituição. Vamos disponibilizar também cópias para a Biblioteca Municipal como forma de fomentar ainda mais o conhecimento sobre estes mestres populares, que são nossos baluartes na manutenção de nossa cultura”, destacou Botão.

Prefeitura garante apoio para festividades de São Marçal e Encontro de Danças Portuguesas


Além da programação oficial do São João de Todos, evento promovido pelo Governo do Maranhão e Prefeitura de São Luís, que vai até o dia 29 de junho nos principais arraias da capital maranhense, a Prefeitura, por meio da Fundação Municipal de Cultura (Func), também irá apoiar dois grandes eventos juninos organizados por associações culturais independentes: o Encontro de Danças Portuguesas e Manifestações Culturais do Maranhão e o Encontro de grupos de bumba meu boi de matraca (Festa de São Marçal).

Para o presidente da Func, Marlon Botão, o apoio da Prefeitura aos dois eventos reafirma o compromisso do prefeito Edivaldo com as festividades populares da cidade. “Por entender a importância e a tradição cultural em sua diversidade de manifestações populares, o prefeito Edivaldo autorizou todo suporte de infraestrutura para os dois eventos garantindo a realização das festas”, afirmou Botão.

Encontro de Danças Portuguesas
Em sua décima sexta edição, o Encontro de Danças Portuguesas e Manifestações Culturais do Maranhão é realizado pela União Folclórica e Cultural Luso-brasileira do Maranhão e pretende reunir mais 60 grupos de danças culturais no dia 28 de junho, com início às 19h e previsão de término às 10h do dia seguinte, na Praça de São Roque, no bairro do Lira.

Danças portuguesas estarão reunidas no encontro. Foto: Lauro Vasconcelos.

Danças portuguesas estarão reunidas no encontro. Foto: Lauro Vasconcelos.

O objetivo do encontro é promover o intercâmbio cultural entre as manifestações folclóricas existentes no Maranhão. “No primeiro ano do evento, começamos com a participação de 6 danças. Ano passado, tivemos a participação de 60 grupos que vem de vários lugares do estado para se confraternizar e também como forma de se aprimorar e desenvolver melhor o trabalho para esse segmento cultural”, destacou Zeca da Cultura, presidente da União Luso-Brasileira do Maranhão.

Participam do evento diversos grupos de danças culturais, como dança portuguesa, dança do boiadeiro, cacuriá, quadrilha, tambor de crioula, dança de rua e grupos de bumba meu boi da capital e de outras cidades, como São José de Ribamar, Paço do Lumiar, Rosário, Raposa, Vargem Grande e Itapecuru. Cada grupo recebe uma placa e certificado de participação, além de contar com suporte de alojamento, camisas e alimentação.

A Func vai garantir todo suporte de infraestrutura de palco, sonorização e banheiros químicos.

Festa de São Marçal
No dia 30 de junho é a vez dos brincantes de boi de sotaque de matraca fazerem um grande batalhão de matracas e pandeirões a céu aberto. O 88º Encontro de Bumba Meu Boi de Matracas tem início na madrugada do dia 30, com previsão de encerramento às 18h, e já conta com 37 grupos de bumba meu boi confirmados. São esperadas mais de 300 mil pessoas, ao longo dia, na Avenida São Marçal, no bairro do João Paulo.

Batalhões de matracas e pandeirões vão fazer orquestra de percussão a céu aberto. Foto: Lauro Vasconcelos.

Batalhões de matracas e pandeirões vão fazer orquestra de percussão a céu aberto. Foto: Lauro Vasconcelos.

O evento contará com dois palanques: um para apresentação dos grupos e outro para idosos, portadores de necessidades especiais e autoridades. Serão disponibilizados 100 banheiros químicos. A Func garantiu o apoio de infraestrutura. As secretarias municipais de Trânsito e Transporte, Urbanismo e Habitação e Segurança e Cidadania vão estar presentes com equipes de trabalho para garantir o controle do trânsito, a fiscalização do comércio informal e a segurança durante toda a festa.

História
O primeiro encontro de bois no João Paulo data de 29 de junho de 1928, quando os batalhões do Sítio do Apicum, o Boi do Lugar dos Índios, do povoado de São José dos Índios, em Ribamar, e, segundo contam alguns, o Boi da Maioba se reuniram no espaço onde hoje é a Praça Ivar Saldanha, sob o pedido de José Pacífico de Moraes, comerciante, apreciador da cultura popular, que resolveu reproduzir, em seu bairro, um encontro que já ocorria desde 1924, todo dia 29, em honra a São Pedro, na então Vila do Anil. O encontro se repetiu todos os anos até 1949, quando foi para o Monte Castelo, mas ficou lá somente um ano. Depois, foi para o Bairro de Fátima e rodou por outros bairros até retornar ao João Paulo, em 1959.

Somente nos anos 1980 a festa tomou a forma que tem hoje. Em 2006, a Prefeitura de São Luís, depois de ter sancionado a lei que alterou o nome da Avenida João Pessoa para São Marçal, atribuiu à Festa de São Marçal, através da lei Nº 4626 de 14 de julho, o título de bem cultural e imaterial, transformando a data no Dia Municipal do Brincante de Bumba Meu Boi.

Boi de sotaque costa de mão é destaque na programação do Terreiro da Maria


Boi de Rama Santa levou a tradição do sotaque de costa de mão para o Terreiro da Maria. Fotos: Lauro Vasconcelos.

Boi de Rama Santa levou a tradição do sotaque de costa de mão para o Terreiro da Maria. Fotos: Lauro Vasconcelos.

A décima quarta noite do Arraial de Todos foi marcada por uma riqueza cultural inestimável. A primeira atração a se apresentar no Terreiro da Maria foi o Boi Rama Santa, sotaque Costa de Mão, que se destaca pela originalidade e pela exótica maneira de tocar os pandeirões. O sotaque tem sua origem no município de Cururupu, litoral norte maranhense e está ligada à vida dos negros que eram castigados pelos seus senhores. Mesmo com as mãos feridas os negros não deixavam de festejar a São João, e para não perderem a festa tocavam os pandeiros com as costas das mãos. Além dos pandeiros, entre os instrumentos tocados pelos brincantes estão os maracás de metal e tambores-onça.

A indumentária do boi é marcada pelas camisas de manga comprida, bermudas de veludo que vão até a altura dos joelhos, bordadas com canutilhos e paetês, chapéus em forma de funil, também decorados com longas fitas coloridas. Os vaqueiros utilizam sapatos e meias estendidas até os joelhos.

A peculiaridade do toque feito com a costa das mãos é característica do grupo.

A peculiaridade do toque feito com a costa das mãos é característica do grupo.

A secretária do boi Rama Santa, também dançarina do grupo, afirma que a religiosidade é muito forte nas apresentações. “O boi é uma manifestação da fé que temos no São João e há 53 anos fazemos isso”, conta. O Boi Rama Santa está dentro do projeto de salvaguarda da Fundação Municipal de Cultura que prestigia grupos culturais em extinção.

A noite continuou ainda com a apresentação do boi sotaque de orquestra Mocidade Axixaense, que mostrou animação e indumentárias coloridas. O sotaque é oriundo da região do Munim, mais especificamente, na cidade de Rosário. O bumba meu boi de orquestra incorpora o acompanhamento de instrumentos de sopro e de corda, como o saxofone, clarinete, piston e banjo, o que deixa as toadas mais aceleradas. O ritmo permite o desenvolvimento coreografias diversificadas.

Boi Mocidade Axixaense

Boi Mocidade Axixaense

Em seguida foi a vez do grupo Afrôs, que surgiu em 2007 com o nome de Afrodites. A ideia inicial era ser uma grande folia de carnaval liderada por meninas, mas o projeto ganhou outros destinos e se transformou numa banda autoral, que pesquisa e trabalha com a cultura popular brasileira, com a sonoridade percussiva de guitarra e contrabaixo. O bailado envolvente das integrantes do grupo encantaram o público.

Show Grupo Afrôs

Show Grupo Afrôs

Mesmo com a chuva que caiu no Terreiro da Maria, o grupo de dança Afro Malungos GDAM se apresentou no palco da Maria Aragão. Eles passearam pelos diversos sotaques de bumba meu boi transformando a apresentação em uma verdadeira festa.

Grupo GDAM

Grupo GDAM

Mais um boi sotaque de orquestra se apresentou na noite de quinta-feira, 25. O Brilho da Juventude homenageou Humberto de Maracanã, cantando o grande sucesso do mestre de bumba meu boi. O grupo contou o auto do bumba meu boi com teatro e divertiu o público.

Boi Brilho da Juventude

Boi Brilho da Juventude

Mas a riqueza cultural ainda não havia acabado. O último grupo a subir ao palco foi o Boi de Pindaré, que surgiu em 1960 no bairro da Ponta d’Areia em São Luís. Segundo o mestre do boi, o nome do grupo deve-se ao fato de que a maioria dos brincantes fundadores era do município de Pindaré-Mirim.

Cazumbas do Boi de Pindaré

Cazumbas do Boi de Pindaré

O boi de Pindaré foi fundando por um dos grandes expoentes da cultura popular maranhense, o mestre Coxinho. Hoje, o boi continua sendo um dos principais grupos da festa junina maranhense. “Cada ano que passa é mais alegria e prazer fazer isso que gostamos e nascemos pra fazer”, reforça mestre Castro que comanda o Boi de Pindaré.